segunda-feira, 1 de junho de 2009

La Poste

Sempre tive curiosidade em saber o que vai na cabeça de um funcionário público. Será que tem consciência do poder que tem na nossa sociedade? Será que sabe como é odiado pelo comum cidadão? Será que o teme? E com que é que sonhará? Terá pesadelos com folhas e mais folhas, arquivos e agrafadores? Ou sonhará provavelmente com as férias que vai ter em Agosto... Será que odeia o trabalho que faz e despreza o cidadão que o chateia diariamente? Ou até entende a nossa posição, afinal de contas também já foi um cidadão com burocracias para tratar...

Bem sei que o trabalho do funcionário público por vezes não é fácil... É verdade que ele parece ter o queijo e a faca na mão no que toca a nossa vida... mas, convenhamos, também tem de aturar muito cidadão passado da cabeça que não tem educação e faz peixeirada no meio do serviço. Eu cá provavelmente passar-me-ia completamente. Se calhar aquela cara sempre aborrecida, de quem não quer saber, é uma protecção contra todas as injúrias e insultos que recebe... afinal de contas, os funcionários públicos também têm coração! Hum, talvez não... I wonder!

No outro dia fui aos correios aqui da vila. Queria enviar uma carta registada e uns postaizitos para Portugal (recebeste? ah, pois, também enviei para ti!). Nada de complicado, portanto.
Quanto tempo é que normalmente demora um serviço desses? Ora, eu preencho o papel da carta registada em menos de um minuto, depois o senhor cola lá as coisas no meu envelope, and I'm good to go. Quanto aos postais, como são todos iguais, é só mandar imprimir uns quantos selos de 0,70€ e colar. Não é complicado. Em 5 minutos já me pus a andar, depois de pagar, claro!

Ora... e quanto tempo julgais vós que passei eu no raio de La Poste? Mais de meia hora!
Sim, porque o funcionário para além de arrastar os pés de cada vez que se ausentava do guiché, estava a atender-me ao mesmo tempo que conversava com os quatro colegas sobre uma dúvida qualquer existencial relacionada com o serviço. Desculpem lá, mas estarão a gozar com a minha cara? Excusez-moi, monsieur, mas ou me atende a mim ou aos seus colegas todos!

Cada vez mais penso que França e Portugal aprenderam muito uma com o outro!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

o antes e o depois!

o antes:



e o depois:

sábado, 2 de maio de 2009

tidying up minds

"Mrs. Darling first heard of Peter when she was tidying up her
children's minds. It is the nightly custom of every good mother
after her children are asleep to rummage in their minds and put
things straight for next morning, repacking into their proper
places the many articles that have wandered during the day. If
you could keep awake (but of course you can't) you would see your
own mother doing this, and you would find it very interesting to
watch her. It is quite like tidying up drawers. You would see
her on her knees, I expect, lingering humorously over some of
your contents, wondering where on earth you had picked this thing
up, making discoveries sweet and not so sweet, pressing this to
her cheek as if it were as nice as a kitten, and hurriedly
stowing that out of sight. When you wake in the morning, the
naughtiness and evil passions with which you went to bed have
been folded up small and placed at the bottom of your mind and
on the top, beautifully aired, are spread out your prettier
thoughts, ready for you to put on."

Peter Pan, J.M. Barrie

quarta-feira, 29 de abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Auf Wiedersehen Berlin!

Neste dia em que te escrevo, querida Berlim, olho lá para fora e vejo um céu cinzento, triste. É o dia em que partirei, sim eu sei, e tu, minha querida companheira, choras a minha partida.

Sei que tentaste seduzir-me, querias que eu mudasse o rumo escolhido... mas bem sabes que não posso ficar.

Olho para estas divisões agora quase vazias, que ecoam de cada vez que eu falo... Até há dois meses atrás e durante três anos foi aqui que eu me refugiei, foram estas as paredes que eu decorei, e que decoraram para mim (a melhor surpresa de todas).
Aqui nesta casa agora deserta recordo alegrias e conversas, recordo os fins de tarde partilhados, depois de um dia de trabalho, rituais criados, discussões fervorosas, jantares com amigos, visitas de fora, domingos a dois, refeições cozinhadas com amor... Foi aqui que eu voltei a apaixonar-me pelo alemão, foi nesta casa que eu amei quem ainda amo. Nestas paredes agora tão brancas organizámos uma festa, o nosso casamento... planeámos um futuro, sonhámos a dois.

Danke, mein Schatz, für die schöne sonnige Tage! Es war echt perfekt! So was hätte ich nie gedacht! Es war das beste Geschenk! Die Tage die ich brauchte um mich zu verabschieden und in die Zukunft zu gucken!
Ich kann leider nicht bleiben, mein Herz ist jetzt irgendwo anders. Aber ich werde bestimmt zurück kommen! Du bist mein Heim!
Auf Wiedersehen!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

E França? Ah, pois, já me esquecia!

Bom... deixem-me pensar como é que eu hei-de dizer isto... É que, bom... eu sou uma boa moça (hum, bolas, na verdade, agora já sou senhora... credo, que raio!), não quero ferir susceptibilidades! Não vá alguém começar uma revolução por minha causa! O Sarkozy não ia gostar nada, ainda por cima se soubesse que a dita revolução foi provocada por uma estrangeira! Afinal de contas, quantos franceses é que há no mundo? Já alguém se lembrou de contar? E portugueses? E quantos desses se consideram mais franceses do que lusos? E depois há que pensar na minha segunda mãe, a que me baptizou (ah, já agora, mais um apontamento: o português que se fala aqui será sempre o português com que eu cresci! se quiserem ler o novo português, já actualizado pelo Acordo, então podem ir para outras paragens! desse ponto de vista poderei dizer que aqui não se fala um bom português! azar! e sim, sim, sou conservadora, pronto!)...

Mas onde é que eu ia? Ah, sim, na parte em que a minha segunda mãe me baPtizou com champanhe, tinha eu uma semana de idade... É que, bom, a minha segunda mãe, madrinha de casório por sinal, é belga e... esperem, esperem, não se exaltem, eu sei que a Bélgica não tem nada a ver com a França! Bom, de facto, metade da Bélgica partilha a língua da França, por isso, não estão tão distantes assim! Mas enfim, esta minha mãe que não é a biológica, também madrinha e professora de francês durante dez anos, ensinou-me tudo que eu sei sobre França e o francês! Ah pois é! Pensavam o quê? Que eu andava a brincar na escola? Não senhora, não andava não senhora! Tive aulinhas de franciú duas vezes por semana dos dez aos dezoito! Para infelicidade da minha prof, não segui francês na faculdade! Com esta má notícia quase me deserdou, não a prof, mas, neste caso a mãe, a segunda, que são a mesma pessoa (uma hint para quem já não está perceber nada)!

Ui, isto está a ficar muito enrolado! E tendo em conta o último post onde me gabava da minha resolução de ver as coisas simples da vida, parece que estou a falhar redondamente nesta nova filosofia de keep it simple!
Aqui vai, então, doa a quem doer:

EU NÃO GOSTO DE FRANCESES!

Pronto, já disse, ufa!
Se uma amiga minha estivesse aqui, já me teria dado um puxão de orelhas! Não que ela provavelmente não concorde comigo, mas porque acabei de cometer um grande erro! Um erro que quatro anos a viver no estrangeiro já deviam ter apagado: eu não devo generalizar! De certeza que no meio de tantos milhões de franceses haverá um simpático... deve haver, de certeza, lá bem no fundo, naquele último milhar...

Agora será uma boa altura para partilhar com o resto do mundo o que um francês me disse há um mês atrás: o único problema da França são os franceses! Sim, sim, um homem são, inteligente, bem-sucedido na vida, da minha idade, cem por cento francês fez-me esta confissão! E agora? Depois de uma coisa destas, o que é que uma pessoa diz? Hum?

Agora falando um pouco mais a sério (mas só um pouquito, que a vida é curta), bem sei que não devo generalizar! Quando todos me diziam que os alemães eram um povo frio, distante, antipático, bruto, eu fui viver para lá e provei o contrário.
Quando todos me avisaram, antes de vir para Paris, que os franceses eram arrogantes, que sabiam sempre tudo melhor do que os outros, eu suspirei e pensei cá para mim que não há como relativizar! Sinceramente, chateiam-me estes avisos de gente que já passou por lá e que sabe como foi!
Sim, sim, todas as culturas e todos os povos são-nos estranhos a princípio! Ora, eu gosto de comer uma boa feijoada, não quero salsichas ou caracóis! E nem percebo porque é que o resto do mundo come comida estrangeira quando devia estar a comer a boa comida tradicionalmente portuguesa!
Mas, let's face it, todos os povos têm um pouco de seu, e isso é muito importante! Cabe-me a mim tolerar essa diferença e, com o passar do tempo, quem sabe, aceitá-la até, como minha (eu cá agora adoro salsichas! com a cerveja é que não conseguiram convencer-me!).
Por isso mesmo, quando me disseram que os alemães eram isto e aquilo, eu esperei e vi por mim mesma. Quando me avisaram em relação aos franceses, eu calei e resolvi esperar!

É verdade que um mês e meio não é nada para avaliar um povo! E fica aqui a correcção: eu só não gosto dos franceses com quem tive contacto até agora, os outros milhões todos são uma incógnita para mim!

Agora a falar a sério, eu nem sou uma pessoa muito simpática. Tenho um ar geralmente taciturno, sério... Quando as pessoas acabam de me conhecer nunca gostam de mim e acham-me até arrogante, distante, de nariz empinado. Na verdade, não sou nada dessas coisas, mas porque sei que os outros me vêem assim, tento relativizar sempre que tenho contacto com gente nova. Agora, quando ouço, todos os dias: Bonjour Madame! Au revoir! Bonne soirée! e por aí em diante, mas no meio destas palavras que representam cortesia, simpatia, boa educação, só sinto frieza, má educação, arrogância... o que é que eu posso fazer? Dêem-me paciência!

Acho que ainda disponho de algum tempo aqui em França! Vou empregá-lo bem, em busca de um francês simpático! Nem que seja um! Até lá, nunca desistirei! Aliás porque se um povo faz brioches e crèpes assim tão bons, é porque esconde alguma doçura dentro de si! Averiguarei!

et voilà!

E pronto, aqui estou eu de volta!
Sim, sim, e já chego tarde, já sei! Se bem que como sou eu que dirijo este estaminé, quem faz as regras sou eu, e por isso quem decide o que é tarde ou cedo também é a moi-même!

É que tenho andado com pouca vontade para mexer no blog! E eu numa casa desarrumada não escrevo! Ai não escrevo, não senhora! Pronto, depois de ter aspirado os cantinhos todos e de ter posto umas cortinas novas, o blog já está com outro ar! Não é que o aspecto anterior fosse mau, mas não era definitavamente a cara da sua dona! Ai não era não!

É verdade que esta cara nova está demasiado lavadinha para o meu gosto, e que de cor tem muito pouco (vá, pronto, também não exagerem! ainda acrescentei um blushzito ao template escolhido, então?), mas agora ando numa de tentar ver as coisas simples da vida! É que a vida em si já é tão complicada, que não vale a pena torcê-la ainda mais com as nossas perspectivas de ser humano pessimista!

Pronto, tenho dito!

sábado, 14 de fevereiro de 2009